segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Minha querida me

Véspera da cirurgia. Cirurgia essa que já devia ter acontecido a meses.
Minha mão tem alguns pólipos, e o médico quer retira-los. Ela tranquila, eu aflita.

Afinal, eu já vi historias parecidas com essas. Meu pai quando entrou na sala de cirurgia tambem estava "com um pequeno problema" e saiu de lá morto.

Da ultima cirurgia que minha mãe fez, quando eu tinha uns 11 anos, eu me lembro de ter passado maus bocados com ela. A começar que a maldita cirurgia demorou 10 horas, ela teve parada cardiaca e eu quase fiquei sem mãe. Tambem me lembro bem do ano que passou depois da cirurgia, das vezes em que cheguei do clube e ela estava passando mal, das brigas pra poder acompanha-la no hospital, das assinaturas me responsabilizando por ela, dos tantos soros que tive que trocar porque enfermeiras preguiçosas faziam pouco caso da menina de trancinhas que brigava com elas por causa da mãe.

Foi dificil. Eramos só nós duas. E eu era pequena. Mas grande o suficiente pra jogar uma mesa em cima de uma enfrmeira que respondeu minha mãe com ironia, grande o suficiente pra segurar o choro de medo de algo que pudesse acontecer com a unica pessoa que eu realmente tinha. Gigante pra segurar a barra de tudo aquilo.
Mas, superamos isso juntas.

Anos mais tarde veio meu pai. Com ele não consegui fazer nada disso. Ele não quis se cuidar, nem me deixou cuidar dele. Um belo dia, quando achava que ele estava viajando a trabalho, me ligaram de um hospital dizendo que ele estava internado. Sabado noite, baladinha a vista e uma ligação dessas? Caí na risada... meu pai era quase de ferro! Mas não foi trote...No outro dia de manhã ele estava melhor. De tarde surgiram uns "probleminhas", mas nada assustador. De noite o médico o leva pra sala de cirurgia mas "não era nada grave". Ele não saiu de lá vivo. E como assim não era nada grave, porra! Pra que mentir? Isso machuca, dixa trauma, e ele como médico deveria saber disso, merda!

E por tudo isso, esse negocio de cirurgia me deixa em pânico. Não quero ver minha mãe sofrendo e quase morrendo toda vez que viro as costas, muito menos que aconteça com ela o que aconteceu com meu pai. Meu pai foi, sinto falta dele, e ainda amo muito ele, mas minha mãe não. Minha mãe não pode, não dá.

E mesmo que seja uma microcirurgia, e todo aquele bla-bla-bla de médico bonzinho que não quer assustar, eu não me conformo. Cirurgia nunca é "simples". E eu não quero minha mãe correndo risco.

E daí eu já perdi o sono, não consegui mais comer, e já derramei mais lágrimas do que as Cataratas do Iguaçu derramam água. No fundo do meu coração algo me diz pra confiar, que tudo está bem, e que tudo vai dar certo. Mas a cada 5 minutos eu vejo o filminho das duas situações anteriores e me bate o medo. Impossivel não te-lo. Gato escaldado tem medo de agua fria, bem diz uma tia-véia minha.

Minha mãe é, basicmnte, a unica coisa concreta que eu tenho. E eu só sou o que sou por causa dela, pra agradar a ela. Eu só comecei a faculdade esse ano só pra ver a cara de orgulho dela quando eu chego da aula e reclamo de não ter esperado uns meses antes de me enfiar numa faculdade complicada de 5 anos. Eu só trabalho pra ela poder encher a boca pra dizer que tem uma filha que não quer depender dela, apesar dos esforços contínuos pra que eu fique só na barra da saia dela. Eu não arrumo namorado pra ela poder se vangloriar pras amigas de que tem uma filha "sossegada" enquanto as filhas das outras estão casando, grávidas ou indo embora de casa (mesmo porque eu me acostumei só com os affairs da vida... muito mais liberdade)... eu nunca chego em casa sem pelo menos uma bala de chocolate que ela tanto gosta, porque isso é importante pra ela. E eu nem me importo de deixar algumas coisas minhas de lado pra fazer as vontades dela. Eu sempre faço de tudo pra ela se sentir melhor da depressão e se preciso for, dou colo pra ela. Se algo acontece com ela eu me fodo. Nada vai ter sentido, porque tudo o que eu faço da minha vida tem em parte, algo a ver com ela.

É quase uma devoção, mas tambem não podia deixar de ser assim. Eu me lembro dela em quase todas as vezes que precisei de alguem. Eu me lembro dela toda vez que lembro que precisava conversar e não tinha com quem. Quando me lembro da minha infancia solitária e doente, me lembro dela junto comigo, brincando de boneca. Eu me lembro dela acordada de noite no hospital chorando do meu lado, eu me lembro dela torcendo por mim no festival de balé, eu me lembro dela me segurando forte no enterro do meu pai. E em quase tudo na minha vida, ela está ali. E por isso eu tenho tanto medo.

E talvez por isso confiar no médico que diz que "é coisa rápida, sem complicação", pra mim é a mesma coisa que dizer "alerta". Minha mãe é a única coisa que tenho e perde-la seria a pior coisa que poderia me acontecer. Mas, o mínimo que eu poderia fazer é pensar positivo e acreditar que tudo vai dar certo. E é o que tenho feito.

Aliás, é só o que tenho feito. Se confiaça e pensamento positivo funcionam, ela volta amanha mesmo pra casa. E é por isso que eu engulo o choro quando ela chega perto, que eu tento passar tranquilidade pra ela. Pode ser frescura, exagero, mas é porque não é com a mãe de quem pensa assim. Se fosse eu queria ver.

sábado, 15 de setembro de 2007

Meu querido fim-de-semana

As 31 perguntas que toda mulher solteira, desesperada, encalhada e com mais de 28 anos faz, discretamente (ou não) numa balada, para o sexo oposto. As perguntas estão organizadas em etapas, conforme nível de embriaguez e liberdade dada pelo sexo oposto.


Dedicado a uma "grande amiga".



Fase 1: 2 cervejas e uma piscadinha. Mulher avisa as amigas que vai até o bar pegar a 3ª cerveja. Pede pras amigas irem em seguida.

1- Namora?

2- Hetero?

3- Qual bar você frequentava antes?

4- Você trabalha?

5- Tem cachorro, gato ou papagaio?

Fase 2: + 1 chopp e um sorriso maroto. Ainda no bar com as amigas do lado.

6- Você fuma? Qual cigarro? (Importante: descartar quem fuma qualquer cigarro abaixo de Malboro maço)

7- Mora longe?

8- Você tem amigos organizados e solteiros? (pras minhas outras amigas encalhadas ou até mesmo pra mim, caso você não me dê bola)

9- Você tem uma coreografia própria na balada? (e, que, por Deus, não seja brega)

10- Qual a sua marca preferida? (Ponto crucial, que define se é pobre, rico, esconde o ouro ou só tem pose.)

Fase 3: Um petisco e os dois sozinhos numa mesa.

11- Ciumento com amigos do sexo oposto? (traduzindo: você não vai ligar pros meu amigos homens?)

12- Você sabe cozinhar? (tradução: a gente vai pra cozinha ou pede comida no delivery depois de transar?)

13- Você sabe alguma receita com beringela? (tradução: vivo de regime, prefiro que você faça comidas light.)

14- Numa balada com amigos, você se concentra só neles ou fica olhando pro lado? (se ele disser que olha pode ser sinal de homem galinha desinteressado em tudo)

15- Você é feliz? (aí podem ocorrer vários tipos de pensamento: se ele disser que não eu passo uma cantada no sentido "eu te faria feliz", se ele disser que não pode ser tambem que ele seja um merda, se ele disser que sim é sinal que não quer se comprometer e tá bem assim ou ele pode ser o cara ideal pra mim, que vai me fazer feliz, ter 2 filhos comigo e me levar pra morar no litoral)

Fase 4: Pedir mais uma bebida e partir pra uma ofensiva.

16- Você vende bugingangas? ( Ela vai perguntar qual a sua profissão e qual empresa.)

17- Pobre?

18- Você tem cheiro ruim? (obviamente ela não vai perguntar isso, mas vai tentar dar uma fungada em você pra verificar.)

19- Qual o seu perfume? (Obs.: Descartar automaticamente os que usam perfume da AVON.)

20- Tem dedo curto? (Ela tambem não vai perguntar isso. Mas vai olhar muito pras suas mãos e talvez tentar olhar seu pé.)


Fase 5: Pedir um drinque mais forte e começar a pegar mais pesado.


21- Você dança? (Um bom ponto a se observar, para que daqui a alguns anos eles possam ir ao bailão juntos.Depois disso ela vai te chamar pra dançar.)

22- Você sabe cantar "Além do Horizonte", musicas da Madonna, Zeca Baleiro ou Jota Quest?

23-Você tem Narguile? (tradução: eu posso ir até a sua casa pra ver o narguile e outras coisas?)

24- Você tem uma sugestão melhor de bar? (traduzindo: quer me levar pra um lugar melhor?)

25- Você tem covinha? (a grande maioria de encalhadas com mais de 28 acha fofo homem com covinha, apesar de alguns serem cafonas)

Fase 6: Ela vai começar a se esfregar nele. Se ele der mole ela parte pras perguntas finais.

26- Você faz algo amanhã? (tradução: quer me encontrar pra conversar e me pedir em namoro?)

27- Você tem Pinto Amigo? (tradução: mesmo que a gente não namore, eu posso trepar com você quando estiver carente, sem compromisso?)

28- Pinto pequeno? (Se ela estiver bebada o suficiente vai perguntar de cara, senão vai se esfregar até conseguir responder á essa pergunta.)

29- Você prefere as "amigas" ou as "metidas" ? (tradução: você prefere mulher que faça bastante cú doce ou aquelas que já querem "dar uma" de cara?)

30- Quantas você aguenta?

31- Gostou de mim? Me pegaria sóbrio? Ficaria mais de 1 noite comigo? Quer casar?



Fim das perguntas. Geralmente aí eles vão sair pra um motel (ou pro apê dele) e no dia seguinte ela vai esquecer qualquer coisa lá pra garantir um segundo encontro. Ou, se ele der um corte, ela vai pedir 2 cipirinhas, e sair do lugar carregada pelas amigas, quase tão bebadas quanto ela. Daí, no próximo fim de semana ela vai estar recuperada dos foras e vai começar tudo de novo.

domingo, 9 de setembro de 2007

Start!

Ok, vamos dar início á essa coisa toda. Esse é o meu blog e essa sou eu. Não entendeu? Nem eu!

hahaha

Na lista abaixo seguem alguns fatos do dia-a-dia (algun são raros, outros aconteceram pouquissimas vezes) que correspondem a alguma música pra mim, com algum comentário em seguida. Isso me identifica, traduz algumas características minhas. Pra começar me identificando, e mostrando quem sou.

O resto é resto.

Let's Go!



Música para acordar: Pro Dia Nascer Feliz, Cazuza

Música para cantar no banheiro tomando banho de manhã: I Feel Good, James Brown (com direito a shampoo de microfone)

Música para ouvir no indo pra faculdade: Rehab, Amy Winehouse

Música pra ouvir indo pro trabalho: A Hard Day's Night, The Beatles (apesar de eu sair bem cedo pro trampo)

Música pra ouvir voltando pra casa: London London, Cibelle e Devendra Banhart


Música para dormir: Good Riddance (Time of your life), Green Day. Bem baixinho, por favor.

Música para transar: This Love, Maroon 5 ou Mom Manege a Moi, Ethienne Daho (musica francesa é tudo!).

Música para estudar: Dança Espanhola "O lago dos Cisnes", Orquestra Sinfônica de Berlim

Música para chorar: Monte Castelo, Legião Urbana

Música para chorar dor de corno: Depende da situação. Bebada: Para Tu Amor, Juanes. Sóbria: Um Minuto Para o Fim do Mundo, CPM22. Ambas fazem chorar mesmo sem um chifre de fato. Por dor de Corno mesmo: Black ou Last Kiss, Pearl Jam.

Música para pular, gritar, balançar a cabeça: This Ain't A Scene, It's An Arms Race , Fall Out Boy

Música pra tocar por toda a balada: Girls and Boys, Blur

Música para ficar na janela em dia com vento e chuva fina: O Vencedor, Los Hermanos

Música para fazer esporro e torturar os vizinhos: Come as you are, Nirvana. Com direito a vassoura de guitarra, pra poder imitar o Kurt.

Música para malhar: A Little Less Conversation, Elvis Presley. Rende uma puta sequencia de abdominais e flexões.

Música para beber: Pescador de Ilusões, O Rappa. Por algum motivo ela me faz pensar em cerveja.

Música para viajar: World Wide Suicide, Pearl jam. Me faz lembrar estrada. Ou, pelo menos, viajar na maionese mesmo.

Música para se animar: I Will Survive, Gloria Gaynor.

Música para comer: Like a Rolling Stone, Bob Dylan. Porque ela me dá fome.

Música para namorar: Eu preciso dizer que te amo, Bebel Gilberto e Cazuza.

Música para nostalgia: Minha Vida, Rita Lee

Música pra ouvir na praia, vendo o mar: Times Like These, Jack Johnson

Música pra ouvir no domingo de chuva: Sundey Morning, Maroon 5